Centro Paroquial de Amora (CAPA)
Um pouco de história
- O Centro de Assistência Paroquial de Amora (CAPA), celebrou o seu 50º aniversário, em Outubro de 2002.
Na década de 1950/60, o desenvolvimento industrial da margem sul arrasta uma população migratória de gente simples do Alentejo e mais tarde do interior. Devido aos baixos salários e à grave crise económica que se verificou na altura, o Centro Paroquial de Amora (CAPA) nasceu para acolher as crianças durante o período laboral dos pais.
Lembramos o Padre Manuel Marques, um homem de grande sentido social que com a construção do CAPA, deu o primeiro sinal de intervenção social não só na cidade de Amora, mas também no mesmo concelho de Seixal.
- No ano de 1974 acolhia acerca de 100 crianças. Durante a década dos anos ‘70, afim de responder às exigências crescentes da população, foi construído um novo edifício procurando apoiar as famílias mais necessitadas.
- Na década dos anos ‘80 a Junta de Freguesia de Amora inaugurou o jardim de infância chamado “Caracol”, sito nas Paivas. Devido a dificuldades de gestão, a autarquia local e o Centro Regional, confiaram esta nova instalação ao CAPA.
- No ano lectivo de 1998/99 nasceram mais duas valências: a Creche familiar e o Refeitório cultural, duas respostas do CAPA aos problemas do desemprego, da droga, dos baixos salários e baixas reformas.
O CAPA continua a desenvolver uma importante actividade social a favor de muitas famílias carenciadas.
- O CAPA hoje acolhe acerca de 460 crianças entre os 3 meses e os 10 anos de idade, nas suas valências de Creche Familiar (48), Creche (60), Jardim de Infância (200) e A.T.L. (110) e acredita que neste sua missão de solidariedade está a ajudar crianças oriundas de famílias em “exclusão social” e minorias étnicas.
- No ano lectivo de 2001/02 o CAPA deu apoio a migrantes do leste europeu, organizou curso de ensino da língua portuguesa, que foi frequentado por 110 pessoas.
- Nos seus dois edifícios “Patronato” e “Caracol”, trabalham cerca de 90 pessoas que decididamente se esforçam para que cada criança tenha ali uma segunda família, nas horas em que os pais estão ocupados nos seus empregos.
A CRECHE
- A Creche recebe as crianças a partir dos 18 meses. Existem quatro salas de Creche, duas no edifício chamado “Patronato” e duas no “Caracol”. Cada grupo conta com 15 crianças. O programa educativo respeita a individualidade de cada criança, promovendo o seu desenvolvimento e autonomia, visando na aprendizagem de comportamentos e conhecimentos essenciais. Em continuidade com os cuidados familiares, o CAPA colabora para satisfazer as necessidades emocionais básicas de atenção, de aceitação, de descoberta, de formação do “eu” em relação aos outros e à própria auto-estima. Em poucas palavras pretende oferecer às crianças um ambiente familiar onde possas crescer e serem verdadeiramente felizes.
A CRECHE FAMILIAR
- A Creche familiar começou a sua actividade em Setembro de 1998. Ha uma educadora que cuida da escolha e da formação das Amas. Um grupo de 12 amas acolhem as crianças em suas casas, até aos três anos de idade. O CAPA está vocacionado para o acolhimento das crianças da nossa freguesia. A Creche familiar surge como necessidade de alargar a sua capacidade de resposta e, além disso, cria novos postos de trabalho. Com este serviço, as crianças começam a conhecer a instituição em vista de uma melhor integração aquando da passagem para as salas de jardim de infância. O trabalho da Ama é de grande responsabilidade, pois deve proporcionar às crianças todos os cuidados necessário ao desenvolvimento físico, motricional e intelectual.
O JARDIM DE INFÂNCIA
- O Jardim de Infância recebe as crianças a partir dos 3 anos de idade até ao ingresso no 1º ciclo do Ensino Básico. Visa a promover o desenvolvimento pessoal e social de cada criança. As crianças oriundas de famílias desfavorecidas têm aqui a mesmas oportunidades de aprendizagem de outras crianças e podem construir as bases para um futuro com mais sucesso. O CAPA tem 8 salas de Jardim de infância, cinco no edifício Patronato e três no Caracol. Casa sala é composta de 25 crianças e uma equipa pedagógica formada por uma educadora e uma auxiliar de acção educativa. O ambiente familiar reproduz a estrutura típica das famílias com muitos irmãos. As relações promovem a entreajuda, a partilha, a aprendizagem, a autonomia e a responsabilidade. As crianças mais adultas servem de modelo e de estimulo para o crescimento das mais novas.
O ATL
- O A.T.L. proporciona o cumprimento de tarefas escolares e, além disso, promove algumas actividades educativas que visam ao desenvolvimento das capacidades de cada um: ateliers, ginástica, catequese, passeios … Esta actividade cria laços entre a equipa educativa e às famílias. O nosso objectivo é conhecer a criança, respeitando a sua história e cultura. A actividade de A.T.L. abrange 110 crianças, distribuídas em 8 grupos, 4 funcionam na parte da manhã e 4 na parte da tarde. Um grupo de 5 monitores acompanham e desenvolvem as actividades acima referidas.
O REFEITÓRIO CULTURAL
- O “Refeitório Cultural” minimiza a solidão e as dificuldades de subsistência de algumas pessoas e famílias da nossa freguesia. Famílias que já tiveram uma vida organizada, segura e estável, por motivos diferentes podem hoje passar por dificuldades de vária ordem, por exemplo, desemprego, falta de comida, falta de abrigo … Uma assistente social atende uma fila de pessoas numa pequena sala do CAPA. Alguma delas encontram uma parte dos seus problemas resolvidos, recebendo uma carta para frequentar o “Refeitório Cultural” ou uma ajuda em géneros alimentícios da Conferência de São Vicente de Paulo. O director do Refeitório Cultural, o Sr. Gama, recebe as pessoas que são introduzidas num ambiente familiar feito de carinho e amizade. Duas cozinheiras fazem o possível para apresentar uma refeição quente e gostosa.
ESCOLA DE LÍNGUA PORTUGUESA
- Escola da Língua Portuguesa para migrantes do leste europeu. Este ano, juntando uma equipa de professores e de outra pessoas voluntária deu-se iniciou a um curso de língua portuguesa para trabalhadores do leste europeu. Este serviço inclui transporte, refeição e estudo da língua e cultura portuguesa. (Ver mais para baixo “Projecto Reviver”).
ACOLHIMENTO DE OUTRAS VALÊNCIAS
- O CAPA é um lugar acessível para reuniões ocasionais de organizações de utilidade pública e oferece os seus espaços a outras organizações, como “CRSS”, Alcoólicos Anónimos”, Famílias Anónimas, Narcóticos Anónimos.
- Entre elas, a Conferência de S. Vicente de Paulo, que regularmente ajuda diversas famílias e pessoas carenciadas, distribuindo alimentos, garantindo um serviço de assistência medica em regime de voluntariado, visitando-as e levando uma palavra amiga e o conforto da fé.
- O CAPA acolhe também a Catequese Paroquial.
- O CAPA é uma instituição que esteve e sempre estará ao serviço da comunidade paroquial e da cidade de Amora.
ADMINISTRAÇÃO DO CAPA
- O pároco de Amora é o presidente do Conselho de administração do CAPA, formado por pessoas que em regime de voluntariado dão o seu melhor para gerir as actividades de uma obra tão prestigiosa.
PROJECTO REVIVER
Portugal, permanecendo terra de onde partem emigrantes, tornou-se hoje terra que acolhe imigrantes. Sensível a esta nova realidade e desafiado pelos Missionários Scalabrinianos, o Centro de Assistência Paroquial de Amora (CAPA) resolveu promover um projecto de solidariedade para imigrantes, chamado “Reviver”.
Foi o amor em Cristo que nos aproximou destes irmãos vindos de longe, testemunha o Sr. Figueiredo. O entusiasmo de um grupo de professoras e professores, em regime de voluntariado, permitiu-nos a organização de um curso de língua portuguesa …
Sonhamos com uma vida nova: a comunhão de todos em Cristo, vivendo a solidariedade, o acolhimento e a amizade entre todos os homens. A comunidade paroquial de Amora sente-se empenhada a sustentar este projecto que é um sinal concreto de AMOR ao próximo”.
Participam regularmente cerca de 100 pessoas. As aulas são de 90 minutos, às 2as e 4as feiras, em período pós-laboral, das 20.30 às 22.00. O CAPA garante-lhe o transporte e jantar no refeitório cultural.
Este serviço é totalmente gratuito e tem como objectivo o libertar os migrantes da exploração e favorecer a integração social, através do conhecimento da língua e da cultura portuguesas.
O transporte facilita a frequência ao curso. Sem ele a participação seria impossível para muitos. O jantar no “Refeitório Cultural”, permite uma pausa após o dia de trabalho e um convívio saudável entre todos.
O grupo é assíduo e com vontade de aprender. Temos Búlgaros, Moldavos, Romenos, Russos, Ucranianos e até do Kirsaquistão. A profissão religiosa é também diferente: há cristãos católicos, ortodoxos e presbiterianos, outros são muçulmanos, outros até agnósticos, mas todos vivem o mesmo drama à procura de uma vida melhor.
A vida não foi fácil para com eles. São pessoas que manifestam uma grande humanidade e agradecem reconhecidamente o acolhimento da comunidade de Amora.
O PROJECTO PEDAGÓGICO DO CAPA
O CAPA acabou de publicar o primeiro número de um boletim que tem por título “CRIAR LAÇOS”. 0 projecto do CAPA tem o nome do nosso Jornal: ” Criar Laços”. A duração é de um triénio.
Na primeira etapa deste projecto retratámos a AFECTIVIDADE, trabalhamos a relação de proximidade Escola/Família.
No ano lectivo transacto desenvolvemos a segunda etapa do nosso projecto, que se intitulou “Multiculturalidade”. Fomentamos e descobrimos identidades, valores e costumes, promovemos o respeito por culturas distintas.
Este ano é a SOLIDARIEDADE. Estamos no ano internacional do voluntariado, por isso a temática que valorizamos é a de ir ao encontro do próximo, do abrigo e da protecção e conforto daqueles que mais necessitam.
O homem é detentor de uma consciência individual, que visa alcançar o bem e sonha acabar com o sofrimento humano. A solidariedade não se impõe como uma obrigação: ela é um acto natural; o homem é um ser racional, tem sentimentos, valores, moral e princípios. Não vive isolado, vive numa sociedade, e se alguns membros dessa mesma sociedade necessitam de ajuda ele tem de ser tolerante e correr no auxílio dos que mais sofrem, independentemente de se tratar de alguém da sua família.
A solidariedade tem de ser cada vez mais visível num mundo conflituoso, onde os adultos não se entendem. Cabe aos mais velhos dar o bom exemplo e fomentarem nas Crianças o sentimento de entreajuda e cooperação, pois só assim se consegue construir um mundo melhor, repleto de esperança.
E numa perspectiva de “Criar Laços”, Família/Escola/Criança, nada melhor do que juntos concluirmos o nosso projecto, com uma temática tão grandiosa, de valores tão importantes como a SOLIDARIEDADE.
Ser voluntário constitui a melhor forma de:
- intervir activamente em favor de uma causa;
- Não ficar indiferente à injustiça e à miséria humana;
- Abrir novos horizontes caminhando para a mudança;
- Desatar nós criando laços;
- Contribuir para o bem estar do planeta;
- Ser tolerante para com o próximo;
- Diminuir o sofrimento desenvolvendo a alegria;
- Dar um sorriso e receber um abraço amigo;
- Aprender adquirindo novas experiências;
- Valorização pessoal;
- Fazer a diferença!