Relíquia da Beata Madre Assunta Marchetti

No fim de semana de 6 e 7 de Fevereiro de 2016, estiveram presentes na Paróquia da Amora, a Relíquia da Beata Madre Assunta Marchetti, co- fundadora das Missionárias de S. Carlos Borromeu- Scalabrinianas (mscs), trazida pela Superiora Provincial Irmã Milva Caro. Celebraram-se também os 25 anos de vida consagrada da Irmã Maria Otília Morgado, mscs

Assunta nasceu em Lombrici, de Camaiore, província de Lucca, Itália, no dia 15 de agosto de 1871, festa da Assunção da N. Senhora, origem do seu nome. Era a 3ª dos 11 filhos de Ângelo Marchetti e Carolina Ghilarducci, que se dedicavam à moagem de cereais. Foi nesta família simples e devota que nasceu em Assunta o desejo de se tornar religiosa contemplativa. No entanto, depois da morte prematura de seu pai aos 47 anos, decidiu permanecer em casa para ajudar a mãe a criar os irmãos mais novos, adiando este seu anseio. Eram os anos da grande imigração italiana para as Américas. Impulsionado pela pregação do Beato João Batista Scalabrini, o seu irmão Pe. José Marchetti embarcou para o Brasil, onde contactou com a imensa realidade dos órfãos dos imigrantes italianos mortos na busca de uma vida melhor. Regressando a Itália, convidou Assunta a abraçar a causa dos migrantes. Não foi fácil convencê-la, pois queria ser irmã de clausura, e dedicar-se à vida de oração pela Igreja. Disse-lhe “…lá estou sozinho com 200 órfãos”, e apontando para o quadro do Sagrado Coração de Jesus acrescentou: “- olha para o Coração de Jesus, escuta os Seus apelos e depois responde-me se vens ou não comigo para o Brasil”. Assunta simplesmente baixou a cabeça num ‘sim’ que lhe marcou toda a vida. Tinha então 24 anos.

Assim, após realizar os primeiros votos religiosos, nas mãos do Beato João Batista Scalabrini, embarcou a 27 de Outubro de 1895, no porto de Génova, rumo ao Brasil. Dedicou grande parte da sua vida missionária aos pequenos órfãos e por isso é conhecida até hoje como “Mãe dos órfãos”. Para as crianças ela era a “mãe”, a costureira, a enfermeira, a cozinheira, a cuidadora”. Caminhou com os migrantes órfãos, doentes, idosos, com as grávidas, com doutores e com a gente simples do povo. Todos encontravam nela um acolhimento amoroso e incondicional. Era caracterizada pelo serviço e pela humildade, no falar, no vestir, no rezar, no mandar, no servir. A sua ação missionária foi ancorada ao lema. “Deus vê, Deus Provê!”. Ela soube unir a espiritualidade missionária e a caridade. Madre Assunta não queria nada para si mesma, mas tudo para o próximo, principalmente o mais pobre. A sua vida foi marcada por 4 virtudes fundamentais: a piedade, a caridade, a humildade e a luta pela Paz. Tornou-se uma mulher de grande piedade conservando na sua vida a prática da oração, a meditação da Palavra de Deus e a recitação do terço.

Uma ferida grave na perna, provocada durante a visita a um doente, causou-lhe longos anos de sofrimento. Passou os últimos meses da sua vida em cadeira de rodas, mas sempre atenta em servir o próximo. Morreu a 1 de Julho de 1948, aos 76 anos.

A sua Beatificação ocorreu, em S. Paulo, a 25 de Outubro de 2014, sendo a sua memória celebrada a 1 de Julho, dia da sua morte.

Em acção de graças pela Beatificação da Beata Madre Assunta Marchetti, desde o início de 2015 a relíquia peregrina visita todas as comunidades da Europa onde estão presentes as Irmãs Missionarias de S. Carlos Borromeu- Scalabrianas.

Na paróquia de Amora, tão marcada pelos movimentos migratórios, onde a Superiora Provincial Irmã Milva Caro, reconheceu na assembleia da missa dominical o rosto do mundo, este momento foi vivido com grande alegria. No dia 6/2 foi realizada uma Vigília de Oração, presidida pelo pároco Pe. Pedro Granzotto, onde através do exemplo da vida e obra da Beata Madre Assunta, foi a todos possível meditar na procura, abertura e obediência à vontade de Deus para a sua vida; na necessidade de se deixar interpelar e de não ficar indiferente aos acontecimentos do mundo (nomeadamente ao fenómeno global e urgente da mobilidade humana, com os migrantes e os refugiados), no serviço generoso e misericordioso aos irmãos mais necessitados. No dia 7/2 foi celebrada uma missa de acção de graças pela vida da Beata Madre Assunta e pelos frutos da sua obra, onde se destaca a Congregação das Irmãs Missionarias de São Carlos Borromeu- Scalabrianianas e as suas múltiplas obras e de um modo particular nesse dia pelo sim à vida consagrada animada neste carisma assumido há 25 anos pela Irmã Maria Otília Morgado. A jubilanda renovou os votos de castidade, pobreza e obediência. O seu anel após ter sido abençoado pelo celebrante, Pe. Pedro Granzotto, que o entregou nas mãos da Superiora Provincial, foi novamente colocado no seu dedo, como sinal de fidelidade e perseverança da sua doação ao serviço do migrante e do refugiado. A cerimónia decorreu em clima de profundo agradecimento por parte da Superiora Provincial e da Jubilanda, terminando a celebração o beijo da relíquia da Beata Madre Assunta Marchetti.

Cláudia Espírito Santo 9/2/2016

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