Homilia 2ª Feira 13 Abril

O Evangelho desta Segunda-Feira depois da Páscoa – Mateus 28,8-15 – é fruto da tradição que as testemunhas do evento da Ressurreição nos transmitiram.

Há dois momentos:
Primeiro: as mulheres foram as primeiras a andar, melhor, a correr a divulgar o facto de ter encontrado o sepulcro vazio e a anunciar a ressurreição de Jesus. Às mulheres que de joelhos se prostraram aos pés do Senhor, Jesus ordena de não tocá-lo, confia a missão do anúncio e de convite para os discípulos, que chama de “meus irmãos”, para irem ao Norte, à Galileia, preanunciando que, o anúncio de Cristo Ressuscitado não é tanto só para a cidade de Jerusalém mas para o mundo inteiro.

No gesto das mulheres há a imagem da primitiva comunidade cristã pós-pascal , que reza e adora o Senhor e nos discípulos que agora agem como “irmãos”, perdoados pela fuga e traição, e reintegrados em “comunhão” para ir à missão. É isto motivo de confiança para todo crente , que também tenha feito experiência de traição na sua vida para com o Senhor. Todos, reconciliados somos chamados a “correr” para levar ao mundo o anúncio de Senhor Ressuscitado e eternamente vivo no meio de nós.

No segundo momento: Mateus que fechar com a “lenda-história” dos guardas do sepulcro, que espantados pela aparição fulgurante do anjo, fugiram. Ainda hoje os islâmicos dizem que tudo isso foi uma lenda.

Em Jerusalém, quando Mateus escreveu seu Evangelho, ainda nos anos 80 corria o “boato” que os discípulos teriam roubado o cadáver de Jesus. Mas tudo tem um lado ridículo-irónico. Os guardas foram dar referência aos funcionários do templo do sepulcro vazio e do desaparecimento do cadáver… e dizem que “enquanto dormiam”, viram os discípulos a roubar o cadáver. Mas como é que viram o sepulcro vazio e “viram” enquanto “dormiam” o roubo. Então, aqui temos testemunhas verdadeiros do “sepulcro vazio” e testemunhas falsos que “viram o roubo enquanto dormiam”. E foi a versão “oficial” que as autoridades do templo aceitaram e … que então se divulgou entre os adversários de Cristo. Mas não é tudo: umas sentinela que não vigiam, que dormem, que fogem … deveriam ser castigadas. Aqui em vez são “pagas” para que testemunhem o falso. A má fé, a recusa a aceitar o anúncio cristão a favor da ressurreição, a incredulidade encontra motivos ridículos contra a verdade. Foi, é e será sempre assim. Assim caiu todo o mundo judaico contrário a Cristo, envolvido na mentira e na cegueira total. Assim os homens sem fé preferem ficar nas “trevas” da sua cegueira e obscuridão espiritual.

E nós, os que nos dizemos ”crentes” “cristãos”, será verdade que acreditamos na Ressurreição de Cristo, primogénito de todos os homens, a caminho da Vida? Pois, quando participamos a um funeral ou passamos diante do cemitério, somos fáceis e convencidos em dizer “aqui vamos todos parar!”. Sinceramente desta maneira estamos com os funcionários de Templo de Jerusalém, a dizer que “ressurreição” é uma “lenda dos padres e das mulheres e dos discípulos de Jesus”. Estranho no entanto que esta “lenda” tenha ainda tantos “mártires e testemunhas” a anunciá-la pelo mundo todo.

Então de que lado estamos?

Senhor, tem pena de nós, e ilumina a nossa pouca fé, com a verdade da Tua Ressurreição.

Padre Pietro Cerántola

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