Homilia III Domingo da Páscoa

OS DOIS DISCIPULOS DE EMAÚS (Padre Geraldo Finatto)
Desanimados, os dois discípulos retornam à sua aldeia, Emaús. “Nós esperávamos e…” É sempre trágico falar de nossa esperança no passado. “Esperávamos que fosse ele que…, mas afinal já é o terceiro dia e…agora não temos mais esperança.”
Essa falta de esperança, nós a encontramos em todos os lugares. Na vida da Igreja. Na sociedadE. Em nossas próprias vidas. Às vezes temos que lidar com situações que parecem não ter saídas: Desilusão, morte, doença incurável, o fim de uma grande amizade, drogas, álcool, jogo. E como os discípulos de Emaús, vamos para casa, de cabeça baixa, nossos olhos a mostrar falta de esperança.
Estamos todos, na estrada para Emaús: Então encontramo-nos no anoitecer, quando a escuridão toma conta e a luz ameaça de apagar-se, desencorajados e sem soluções para nossos problemas. Sim continuamos a avançar porque temos que seguir em frente, mas o coração não está mais lá. O caminho parece cada vez mais escuro.
E é neste momento que Deus quer novamente entrar em nossas vidas. Vem através de um amigo, um colega de trabalho, um estrangeiro, um acontecimento alegre ou triste.
À primeira vista, não reconhecemos Jesus que está a caminhar connosco. Mas ele está presente, e acompanha o nosso peregrinar na vida.
Cristo ouve atentamente nossas histórias e desventuras. “Tu és o único habitante de Jerusalém a não saber o que se passa.” Na família, as coisas nem sempre vão bem. Há doença, mal-entendido, atrito… Na Igreja também há dificuldades. No mundo, temos todos os tipos de problemas. Em todos os lugares fala-se de guerras, violência, pobreza, drogas, conflitos de todos os tipos… Tu és a única pessoa que não sabe o que está acontecendo no mundo?
Então o estrangeiro explica todas as escrituras o que lhe diz respeito. E agora a Palavra de Deus, que pensávamos conhecer, começa a iluminar nossas realidades diárias com uma nova luz.
Com calma, o desconhecido faz rever os acontecimentos de uma outra maneira. É verdade existem crueldades, injustiça, doenças, problemas preocupações….Devemos olhar estas realidades com o olhar da fé.
Deus Pai não disse ao seu Filho: “Tu morrerás na cruz.” Mas disse-lhe: “Tu vais amar até o fim, com um amor sem limites.” A morte de Cristo foi o ápice deste amor sem fronteiras, e não o sinal de sua derrota. Pouco a pouco, para os discípulos de Emaús, a luz se refaz. A Palavra de Deus fornece uma luz diferente.
O ponto alto da história ocorre quando os dois companheiros de viagem oferecem hospitalidade ao desconhecido: “Fica connosco Senhor…porque o dia está a terminar e vem caindo a noite. Vem para a nossa mesa em nossa casa.” Jesus é reconhecido onde há comunhão fraterna. Esse sentido profundo de partilha, encontramos em toda a Bíblia.
O estrangeiro que os faz reler o passado à luz da Palavra de Deus, abre um novo futuro para eles. Na fracção do pão, na Eucaristia. Eles o reconhecem e agora podem voltar para Jerusalém no meio da noite para encontrar os outros, aqueles que eles abandonaram naquela manhã.
O Evangelho de hoje termina com uma bela cena: os discípulos partilham a mensagem da Páscoa: “O Senhor ressuscitou”. E essa é a grande alegria. Fé viva. A verdadeira fé começa onde a alegria do encontro começa. “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estou no meio deles.”
A história dos discípulos de Emaús convida-nos hoje a reler nosso passado à luz da Palavra de Deus: acolher o irmão necessitado e partilhar juntos, o pão eucarístico. Eis o caminho que Jesus toma para vir ao nosso encontro e dar um novo sentido às nossas vidas.

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